
Fotos: Hoadson Leonardo, equipe Borba, Regional Norte I
O zumbido, pequeno e persistente, volta a ecoar nas aldeias Mura – um som que, para além de mel e própolis, anuncia a continuidade de um modo de vida. Entre troncos, igarapés e roçados, as abelhas sem ferrão reaparecem como testemunhas da resistência – um leve movimento de asas que carrega memória e esperança. Esse ruído quase imperceptível anuncia o reencontro do Povo Mura com uma prática ancestral: a meliponicultura. Pequeno gesto, grande efeito – restaurar colmeias é também restaurar laços de memória, modos de sustento e a possibilidade de um futuro em que a floresta e seus povos sigam em comunhão.
E foi para fortalecer esse elo entre floresta e povo que, nos meses de setembro e outubro de 2025, aconteceu a Oficina de Meliponicultura, realizada pela parceria entre a Organização de Lideranças Indígenas de Careiro da Várzea (Olimcv), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Regional Norte I e a Casa de Cultura Urubuí, da família de Egydio Schwade – um dos fundadores do Cimi – e Doroti Alice Müller Schwade, em Presidente Figueiredo (AM). Participaram da Oficina indígenas das aldeias Santo Antônio, Galileia, Jabuti, Sissaíma, Ponciano e Mura Tucumã, de Careiro da Várzea.
Por ser parte da cultura indígena milenarmente, a meliponicultura é uma das atividades do projeto desenvolvido pela equipe Borba do Cimi Regional Norte I, que atua com os povos Mura e Maraguá. O projeto tem por objetivo apoiar a defesa dos territórios e direitos indígenas, revitalização cultural, soberania alimentar e autonomia econômica dos povos indígenas Mura e Maraguá da região do baixo Rio Madeira.
A equipe desenvolve junto às aldeias atividades de agroecologia: viveiros de mudas para reflorestamento de áreas degradadas, agroflorestas, manejo de lagos e quelônios, construção de mapas de suas áreas e a meliponicultura e apicultura. O trabalho é realizado numa relação de mútua confiança e transparência, visando garantir às aldeias e aos povos Mura e Maraguá o controle de seu território em todos os sentidos e, em especial, a soberania alimentar e a autonomia econômica.
“Esse olhar e essa ação nadam, dura e teimosamente, contra a correnteza da destruição que fazendeiros desenvolvimentistas empregam sobre os territórios amazônicos”

Fotos: Hoadson Leonardo, equipe Borba, Regional Norte I
Preocupação com o futuro
“Aqui, como a maioria das partes para cá, foram desmatadas por fazendeiro e aí a gente perdeu [nossas matas] . Porque antes, na geração que tinha antigamente, eles falaram que enquanto os fazendeiros não tinham desmatado tudo, existia bastante mata e vegetação que as abelhas precisam [para sobreviver e produzir]”, resume a tuxaua Mura Euzilange Souza Mura, da aldeia Santo Antônio, na Terra Indígena Apipica, em Careiro da Várzea. Tristeza e preocupação permeiam suas falas sobre o futuro das abelhas e das florestas.
A preocupação da tuxaua Euzilange é a mesma dos Schwade: em 1992, Egydio e Doroti construíram com a ajuda de amigos a Casa de Cultura e, a partir dali, iniciaram práticas de meliponicultura – a criação de abelhas sem ferrão – como esforço que alia conservação ambiental e revitalização de espécies da fauna e flora nativas da Amazônia. Esse olhar e essa ação nadam, dura e teimosamente, contra a correnteza da destruição que fazendeiros desenvolvimentistas empregam sobre os territórios amazônicos.
Como estratégia de ação, as parcerias com organizações e pessoas com conhecimentos técnicos específicos e que contribuam com o fortalecimento da luta em defesa dos povos indígenas são primordiais. Assim, a Casa de Cultura Urubuí, pelo seu histórico nessa luta, foi a força da aliança para o desenvolvimento das oficinas de meliponicultura.
A economia invisível
No artigo A Floresta Amazônica e a sua Economia Invisível, publicado no blog da Casa, Egydio Schwade recorda a fala do Presidente do Sindicato dos Madeireiros do Estado do Amazonas que, por ocasião de um evento em Manaus, teria dito que “da floresta amazônica se aproveitam 5%, o resto é lixo”. Diante do argumento, a reação foi imediata: a esposa Doroti refutou a “grosseria”, enumerando composição e benefícios das árvores para a existência da vida no planeta – e devolveu, em tom inverso ao do madeireiro: “da floresta amazônica se aproveita 95%, o resto é madeira. E quando morre a árvore nos dá ainda os 5% restantes: a madeira, para construirmos nossas casas, colmeias, lenha para o fogo”.
“Jamais haverá sustentabilidade da floresta amazônica sob a ótica de madeireiro, de agronegociante ou de minerador”

Fotos: Hoadson Leonardo, equipe Borba, Regional Norte I
Nos pontos elencados por Doroti estaria imbuída a “economia invisível” conceituada por Egydio — justamente o que deu sustentação para suas abelhas e fundamento para suas ideias e compartilhamento dos seus conhecimentos. “Com uma incrível generosidade, silenciosas, escondidas, invisíveis, algumas espécies de árvores da floresta nativa daqui, em volta do rio Urubuí/AM, nos deram no semestre que findou, 3.252,8 kg de mel. Resultado da colheita do trabalho de 45 famílias de abelhas da espécie apis-melífera-africanizadas, localizadas em 6 apiários. Sem referir a cera, o própolis, o pólen que nos deram. E junto aos mesmos apiários cultivamos ainda 15 espécies de meliponíneos, abelhas sem ferrão, em torno de 200 enxames cujo mel ainda não foi colhido, mas que visitaram as mesmas árvores”.
Para Schwade, os números embasam uma crítica dura: “Jamais haverá sustentabilidade da floresta amazônica sob a ótica de madeireiro, de agronegociante ou de minerador. Das ideias de um madeireiro, de um agronegociante, de um dono de empresa de mineração, a humanidade aproveita 5%, o restante é lixo e veneno!”. Já quem entende e cuida das abelhas consegue ver o invisível: “As abelhas nos levaram a descobrir a biodiversidade e o valor que existe na floresta nativa, tanto para tornar a nossa mesa, dia a dia mais farta, como para garantir nossas finanças”, revela Egydio.
Legado às gerações indígenas
Criar um arquivo de etno-história da região entre o Sul de Roraima e Norte do Amazonas – localidade onde a família Schwade se instalou – foi o objetivo inicial da Casa de Cultura Urubuí. Junto com a organização do acervo veio a organização da apicultura e meliponicultura, atividades de garantia da “mesa farta e das finanças”, além da multiplicação das ideias, conhecimentos sóciobiodiversos e técnicas de criação de abelhas para produção de mel e derivados.
Há mais de 30 anos, a Casa de Cultura Urubuí vem oferecendo serviços de consulta ao seu acervo de livros e documentos, especialmente para pesquisadores, estudantes e movimentos sociais, e firmando parcerias para a realização de cursos, estágios e visitas técnicas em agroecologia, criação de abelhas e sustentabilidade na Amazônia. Nessa perspectiva, Olimcv e o Cimi Regional Norte I firmaram parceria com a Urubuí e, com apoio da Cáritas França, promoveram a Oficina de Meliponicultura, que aconteceu em duas etapas: uma nos meliponários da família Schwade, em Presidente Figueiredo, onde foram trabalhados conteúdos teóricos e práticos, e, posteriormente, nas aldeias Galileia e Ponciano com teoria, prática e instalação dos meliponários.
Maurício Adu Schwade recebeu o legado de seus pais como meliponicultor e apicultor, indigenista e educador popular. É um dos fundadores da Casa de Cultura Urubuí e, atualmente, é sócio e administrador da Microempresa iBi Abelhas da Amazônia. Na parceria, Adu conduziu a oficina com os Mura e é categórico em dizer que a iniciativa tem relevância histórica, cultural, ambiental e econômica, pois a meliponicultura é uma atividade milenar realizada por vários povos indígenas, especialmente da América Latina e Brasil.
“A criação de abelhas sem ferrão para os povos indígenas é muito antiga, é milenar. Desde o tempo pré-colonial muitos povos indígenas criavam abelha. Tem diversos registros disso. Hoje, muitas comunidades indígenas e ribeirinhas, ainda têm algumas colmeias. [Os netos] sempre vão lembrar do avô, do bisavô, que tinha algum tronco, algum ‘enxaminho’ de abelha que cultivava em cortiço (pedaço oco de tronco de árvore que abriga uma colônia de abelhas)”, contou Adu.
“As abelhas continuam aí, presentes, com um papel ecológico muito importante, inclusive, pela produção de frutos da floresta”

Fotos: Hoadson Leonardo, equipe Borba, Regional Norte I
A sabedoria indígena permitia o manejo das abelhas de forma sustentável, fosse pela extração do mel e outros produtos diretamente da floresta, fosse trazendo os ninhos para cria-las em cortiços nas aldeias. Mas o processo de colonização interrompeu a harmonia. “A meliponicultura é uma atividade que foi muito castigada por todo o processo colonial. Com ele, poucos meliponários resistiram. Mesmo para quem não criava e fazia a coleta de mel silvestre nas colmeias instaladas naturalmente”, lamenta Adu, contando as duas formas de sofrimento que as abelhas nativas sem ferrão passaram.
“Teve [e continua existindo] o desmatamento [em larga escala], mas também tem o uso de motosserra [para manejo], por exemplo, que acabou viabilizando a retirada de ninhos da natureza de árvores maiores. Mesmo os povos indígenas que não criavam as abelhas, acabavam fazendo o manejo tirando o mel só de árvores menores. E, na hora que começa o uso de outros equipamentos, a pressão [sobre o produto] é muito maior”, deduz o especialista, explicando a importância das abelhas para o equilíbrio do ecossistema.
“Muito disso [conhecimentos e ação] se perdeu, quase tudo, mas as abelhas continuam aí, presentes, com um papel ecológico muito importante, inclusive, pela produção de frutos da floresta. Tem estudos que apontam que na Amazônia, em alguns lugares, mais de 90% das plantas de algumas regiões da floresta, dependem da polinização das abelhas. Se ocorre a diminuição de abelhas na floresta, seja pela exploração de mel, seja pela destruição das abelhas e enxames, há diminuição consequente da produção de frutos, que vai levar também à diminuição dos animais que se alimentam desses frutos. Então, todo o ecossistema se desequilibra”, conclui.
Entender as causas do desequilíbrio do ecossistema amazônico é uma tarefa árdua que pode levar a alma à beira do desespero, tamanha é a voragem e a velocidade do avanço do desmatamento para projetos desenvolvimentistas e produção agropecuária. Mas, como diz Adu, as abelhas continuam por aí realizando suas tarefas ecológicas de produção e manutenção da vida.
Que o diga Jonison Mura, técnico em agropecuária, produtor agroecológico e meliponicultor, morador da aldeia Terra Preta da Jozefa, em Autazes. O Mura participou com sua experiência das etapas da Oficina e foi testemunho vivo da importância das abelhas sem ferrão para os povos indígenas da Amazônia.
“A criação de abelhas sem ferrão, que também chamamos de abelhas nativas ou abelhas indígenas, já é há bastante tempo feita pelo nosso povo. Nossos avós, nossos antepassados faziam esse processo do mel, de usar para alimentação e para medicina tradicional. Uma pena que nós, muitas vezes hoje em dia, não trouxemos essa cultura, perdemos muitas coisas”, conta Jonison com tristeza por saber que foi o processo de colonização e os impactos ambientais que diminuíram as abelhas e o alcance do conhecimento indígena sobre elas.
Passada a reflexão, o agroecológico Mura se recompõe e imbui de esperanças os aprendizados compartilhados na Oficina. “Mas, as coisas mudam. Estamos levando conhecimentos com as oficinas e elas são importantes pra isso”, explica, retomando as vantagens da criação de abelhas. “A meliponicultura traz não só a preservação da natureza, a preservação do meio ambiente, mas, também, ela traz ali um reconhecimento de que as abelhas são importantes para a natureza e para nossa vida. Tem uma frase importante na meliponicultura que diz ‘sem abelha, o nosso planeta não consegue viver’”, conta Jonison, elencando os produtos da criação: “tem o própolis, tem o pólen, tem a geleia, o próprio mel, né? porque do mel se deriva para os outros alimentos”, explana, mostrando a participação estruturante das abelhas nativas na agroecologia.
“Ela é muito importante também na agroecologia, porque a agroecologia tem um papel de preservação das plantas, das flores. E tem culturas que só dependem das abelhas [para frutificar]. Sem as abelhas para polinizar, ela [a planta, árvore ou cultura agrícola] não consegue se desenvolver ou alcançar uma produção de qualidade”, condiciona o Mura.
“Retomar a criação de abelhas sem ferrão com técnicas mais recentes tem forte potencial de geração de renda, de conservação ambiental e de fortalecimento da saúde”

Fotos: Hoadson Leonardo, equipe Borba, Regional Norte I
A oficina e as técnicas
Assim como Adu é otimista, Jonison aposta no avanço e consolidação da meliponicultura e, ambos, acreditam que o caminho é a multiplicação de conhecimentos. “Com o decorrer [do tempo] a meliponicultura está ganhando espaço”, aponta o Mura e começa a descrever as técnicas de criação “racional”, com o uso de caixas para acomodar as colmeias compartilhadas nas oficinas.
“As oficinas fortalecem mais ainda a meliponicultura porque estende mais sobre o conhecimento de criação de abelhas racionais, que são nas caixas padronizadas. As colmeias são pegas na natureza, transferidas para uma caixa e, nessa caixa, a gente consegue manejar as abelhas”.
Confirmando as informações de Jonison, Adu fala das vantagens de dominar as técnicas para ter maior e melhor produtividade: aperfeiçoa a conservação da floresta e qualifica a economia da comunidade.
“Trazendo as abelhas para perto de casa, é possível colher mel, pólen, própolis e diversos produtos das abelhas com mais facilidade, aumenta a polinização das plantas cultivadas, das frutíferas em especial, e aumenta a polinização na floresta. O patauá, açaí, buriti e outras espécies vão aumentar a produtividade em torno da aldeia. Então, retomar a criação de abelhas sem ferrão com técnicas mais recentes tem forte potencial de geração de renda, de conservação ambiental e de fortalecimento da saúde, questões fundamentais para a economia indígena das comunidades”, conclui Adu.
Um novo olhar
Os participantes da Oficina, nas duas etapas, foram unânimes em manifestar que os aprendizados foram extremamente importantes, conseguiram um novo olhar sobre as abelhas e sua importância para a floresta que rodeia as comunidades, especialmente as espécies frutíferas, plantios da agricultura orgânica, e dos remédios que derivam dos produtos das abelhas. Os depoimentos mostram os ganhos individuais e a preocupação com a coletividade.
Arlei Gama de Souza, aldeia Ponciano: “Fazer um curso de produção de mel é uma motivação pra nossa cultura, que a gente já vive um pouco no dia a dia e traz rendimento para dentro da aldeia. Os aprendizados foram bem específicos, ensinando a gente a trabalhar com clareza e sempre ajudando as abelhas. E a forma de trabalhar das abelhas me impressionou muito. Na colmeia, cada uma tem uma função e um período que trabalha dentro da colmeia e umas trabalham fora, tem um certo período de troca de rainha, de zangão. Elas são bem organizadas. Eu pretendo instalar um meliponário lá em casa. E vou incentivar os parentes, dizer que as abelhas fazem um trabalho fundamental na natureza polinizando nossas frutas nativas.”
Juliette Ferreira Vasconcelos, aldeia Mura Tucumã: “Lá na minha aldeia tem o tio Jorge e a tia Cleia que trabalham já com abelha. Eu, de vez em quando vou lá e quando posso aprendo alguma coisa. Mas, agora, já sei mais sobre abelha vou mais. E tenho uma filha que desde pequenininha, quando eles vão tirar mel ou se vão atrás de abelha, chamam ela porque ela gosta e se ela quer, ela vai. Eu deixo. Porque eu estou vendo que ela se interessa. Se ela quiser seguir, eu vou incentivar. E eu estou presenciando também que é uma fonte de renda que dá muito futuro. Não só pela venda do mel, né? Mas, a gente pode aproveitar toda a abelha. Até para a produção de remédios.”
Manoel Jorge Medeiros, aldeia Mura Tucumã: “Minha função dentro da aldeia é transporte de alunos, mas no mesmo instante trabalho com roçado, que é o nosso trabalho do dia a dia, e com agricultura orgânica e abelha com ferrão. Já a 27 anos que trabalhamos com elas, mas agora aprendemos a criar. Eu vim aqui para aprender mais e conhecer mais abelhas, porque lá no nosso local tem muitas abelhas, mas diferentes dessas [sem ferrão]. A gente está aqui para aprender e levar para ensinar o meu povo lá. E eu gostei muito dessa mistura que a gente tira para tomar com a água, que é o própolis. Achei interessante como remédio. Também aprendi que tem que tomar o maior cuidado para não deixar as pragas invadirem as caixas das abelhas. Elas podem morrer ou abandonar a caixa, mas dependendo da espécie, elas ficam na casa pra defender o ninho, e é o tempo que os bichos matam elas todinhas. Quem não conhecem o que é trabalhar com abelha eu experimente, porque é um ganho que vale a pena.”
“Instalar as caixas e levar colmeias de espécies que ocorrem ali na região, despertou o interesse porque fizemos, também, práticas de resgate de enxames que estavam ameaçados”

Fotos: Hoadson Leonardo, equipe Borba, Regional Norte I
Raul Nati Rinaldi de Souza, aldeia Jabuti: “Sou tuxaua e sou estudante. Fazer um curso de produção de mel para mim é um incentivo pro trabalho e para dar continuidade numa cultura que a gente fazia. Precisamos muito de produção de mel para fazer nossos remédios artesanais. Os aprendizados nessa oficina foram uma coisa nova que eu pretendo botar para frente. Eu me impressionei com a organização das abelhas, com a mudança dela [para a caixa] e a forma de fazer os enxames. A produção do própolis, eu não tinha ideia para que ele servia e quanto ele era tão valioso, até mais que o mel. Na coleta do mel precisa de vasilha para coar e ter higienização. Para colher o própolis tem que higienizar os materiais que for usar. Não fazer a coleta de qualquer jeito, tem que ser sempre com cuidado.”
Edno Mura, aldeia Galileia: “O que me levou a trabalhar com meliponicultura foi as belezas das abelhas e também uma forma de renda. Vender mel e própolis é uma boa ideia. Temos pouca floresta na nossa aldeia, mas tem ainda. Tem frutíferas. Para mim, em relação às abelhas, com as árvores, especialmente as fruteiras, graças a Deus elas estão trabalhando bem, estão polinizando bem as fruteiras. Colocamos algumas caixinhas aqui na minha aldeia, perto da minha casa e animei pra trabalhar com elas. Acho que aprendi o suficiente pra começar a produzir. Também quero incentivar a comunidade, e quem quer a gente ensina o que aprendeu. Meus sobrinhos, Reysson e Raiele gostaram da ideia.”
Reysson Mura, aldeia Mutuquinha (11 anos): “Eu tenho 11 anos e estou com meu tio que hoje tá começando a trabalhar com as abelhas. Achei muito importante esse conhecimento. Eu não sabia como eram as abelhas. Elas são espertas e dão mel.”
Railane Mura, aldeia Mutuquinha (13 anos): “Eu tenho 13 anos e, também, to com meu tio Edno vendo as abelhas dele. Ele diz que elas são importantes porque são fonte de renda, dá pra ganhar um dinheiro. Elas produzem mel, própolis, pólen e cera. São os polinizadores essenciais para a maioria das plantas. E aí, garantem a produção de frutas e plantas silvestres e nativas.”
Dividir para multiplicar
Adu Schwade, com otimismo, disse ao término da oficina prática, quando instalou as caixas de abelhas nas comunidades Ponciano e Galileia, que os aprendizados vão se multiplicar. Os participantes demonstraram disposição para iniciar em suas comunidades a criação de abelhas sem ferrão.
“Nas comunidades onde instalamos os meliponários, vimos o interesse de outras pessoas, de outros moradores. Instalar as caixas e levar colmeias de espécies que ocorrem ali na região, despertou o interesse porque fizemos, também, práticas de resgate de enxames que estavam ameaçados. As pessoas tinham pego para tirar mel e aí a gente passou para a caixinha. Mostramos como é que se faz. Essa prática de coleta se mel na floresta ainda existe. Quando fazem roçado, eventualmente, é derrubada uma árvore que tem abelhas. Então, foi importante repassar as técnicas de fazer o resgate, porque o meliponários instalado na comunidade, animou a comunidade. E as comunidades que já tinham a prática puderam ter contato com novas formas de colmeias para criação. Acreditamos que o pessoal vai levar para frente a atividade de criação de abelha sem ferrão”, explicou.