Aconteceu, no dia 15 de fevereiro deste ano, na Câmara Municipal de Lagoa da Confusão, em Tocantins, um ato de repúdio contra o preconceito e a discriminação sofridos pelo indígena José Hani Karajá, vereador daquela casa.
No dia 15 de dezembro de 2006, última sessão do ano, foi disputada a eleição para a presidência da Câmara, para a qual concorriam duas chapas. A chapa que saiu vitoriosa tinha José Hani Karajá (aldeia Fontoura/Ilha do Bananal) como vice-presidente. Descontente com o resultado, um vereador (Arione Furtado da Silva, PR) da chapa opositora (que, a propósito, também concorria como vice-presidente) reagiu, proferindo agressões sobretudo direcionadas ao vereador indígena, pois apontava para o mesmo e bradava: “como esta chapa pode ter ganho se índio não é nem ser humano???…esses insetos…”. Parte da agressão está registrada em vídeo.
Assim, reforçando o apoio ao vereador indígena estiveram presentes no ato de repúdio lideranças Karajá, Javaé, Apinajé, a Organização Indígena do Tocantins, acadêmicos indígenas, o Cimi, o Centro de Direitos Humanos de Cristalândia, o Bispo da Prelazia de Cristalândia, professoras (es) e líderes comunitários de Lagoa da Confusão. Todos expressaram indignação e revolta diante do episódio e, tendo clareza quanto à natureza criminosa do mesmo, cobraram a punição e cassação do agressor.
Ao final, o Presidente da Câmara esclareceu que, através da Comissão de Ética, constituída há pouco, irão avaliar o caso e aplicar a punição necessária.