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Simpósios de Geografia Agrária fortalecem debate sobre lutas dos povos indígenas

Inserido por: Administrador em 14/11/2017.
Fonte da notícia: Assessorias de Comunicação Cimi


Foto: arquivo Singa 2017

Por Gilberto Vieira, secretário-adjunto Cimi

Com ênfase na luta dos povos indígenas, o VIII Simpósio Internacional de Geografia Agrária e IX Simpósio Nacional de Geografia Agrária (Singa) trouxeram para o debate os contextos da América Latina e aos retrocessos enfrentados por estes povos em um processo de conflitos, violência e ataque aos direitos. Os eventos ocorreram de 01 a 05 de novembro em Curitiba (PA).

No entendimento fundante do debate sobre a temática indígena, esteve constantemente presente nos simpósios a busca de fortalecer as resistências dos povos para garantir a Liberación de la Madre Tierra, em todos os lugares do mundo, livrando-a da exploração do capital que a desrespeita, degrada e mata.

Na conferência de abertura, “Panorama da Mobilização Social em Territórios de Vida Latino-Americanos”, compuseram a mesa Davi Kopenawa, liderança Yanomami e autor do livro “A queda do Céu”, e Raul Zibechi, jornalista uruguaio. Kopenawa, ao lembrar a luta pela demarcação da terra indígena de seu povo em Roraima, denunciou a presença de invasores em seus territórios sagrados, principalmente com garimpos. Diante das ameaças, convocou a plenária, composta em sua maioria por geógrafos, para assumir em conjunto com os povos suas lutas.

De forma enfática afirmou que ao contrário do que falam, os povos indígenas não são preguiçosos. “Os povos indígenas não trabalham para fazer barragens ou para mineração. Isso não é bom. Nós trabalhamos para ficar bem. Quem deixa a gente triste é deputado, senador, esse povo do agronegócio – esse povo que não presta. ”

Atento a conjuntura, afirmou que Temer está vendendo o país. “O governo está negociando a nossa terra, as nossas riquezas. A responsabilidade do governo federal é cuidar do país, não ficar vendendo, negociando nosso território”, argumentou a liderança. “Nossa terra é rica, por isso os brancos tão de olho, todo mundo quer meter a mão. Nós, indígenas, estamos defendendo o nosso país”. Um bom registro desta mesa pode ser encontrado na matéria  Cosmovisão indígena, comunidades e movimentos na América Latina, de Michele Torinelli.


Na mesa “Redes de Resistências e Rebeldias na América Latina”, a indígena Vilma Almendra, do povo Nasa, da Colômbia, autora do livro Entre la emancipación y la captura, memórias y caminos desde la lucha Nasa en Colombia, trouxe a experiência de lutas indígenas desde seu país e o acúmulo de alianças no âmbito do processo denominado Pueblos en Camino e a Liberación de la Madre Tierra. Através dessa experiência, indígenas buscam não somente a retomada de seus territórios, mas a libertação do jugo de multinacionais que estão destruindo imensas áreas para o plantio de cana e outros commodities.

Segundo Vilma, a luta é para libertar a Mãe Terra em uma região de grande fertilidade do solo no vale do rio Cauca, em um processo em que os indígenas cortam as plantações de cana e lançam sementes de alimentos. Esta luta está documentada na reportagem Cortar caña para sembrar comida, feito pela TeleSur. 

A presença indígena também esteve em outros espaços de debate do Simpósio, como nos Grupos de Trabalho e nos Espaços de Articulação, estes organizados para proporcionar o intercâmbio e articulações das ações de indígenas, pesquisadores e militantes da causa. Participaram das roda de conversa as lideranças Wera Kwaray, do povo Guarani, Júlio Karaí Guarani e Gilberto Guarani, todos da Comissão Guarani Yvyrupa; também estiveram presentes Kellen Vygte e Suzi Gajok, do povo Kaingang.

Lugar comum em todas as falas, seja de indígenas, pesquisadores e pesquisadoras, foram os casos de violência e violações de direitos e a necessidade de articular a resistência para avançar na perspectiva de garantir os direitos dos povos, principalmente os territoriais. É incontestável o envolvimento de Geógrafos e Geógrafas em pesquisas que buscam contribuir para a efetivação dos direitos dos povos. Também, para que a sociedade não indígena entenda a importância e a diversidade do Brasil, de povos e culturas indígenas. São inegáveis as contribuições mesmo para aquelas pessoas que estão nos grandes centros urbanos. 

Durante o Simpósio foram divulgadas publicações sobre a temática indígena, entre elas Guaíra & Terra Roxa – Relatório sobre Violações de Direitos Humanos contra os Avá Guarani do Oeste do Paraná, apresentado pela liderança Gilberto Guarani. Ainda, durante as atividades do Espaços de Articulação, apresentou-se o Relatório Violência contra os Povos Indígenas do Brasil – dados 2016 e o Jornal Porantim.

PR

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